Olá,
vidinhas!


Em março o blog Vivendo Sentimentos irá completar 10 anos e eu estarei participando dessa festa junto à Monique (que faz um blog lindo) e alguns blogs maravilhosos. Juntos, preparamos um mega sorteio para vocês. Serão quatro ganhadores. Três deles ganharão 10 livros cada (que presentão não?!) + marcadores, e o quarto ganhará 8 livros, um caderninho e mais de 100 marcadores. É muito prêmio maravilhoso, então vamos comemorar junto e participar.


REGRAS:

- Residir (endereço de entrega) em território nacional.
- Preencher as regras obrigatórias de cada formulário.
- Onde diz Visitar o Facebook, é obrigatório curtir a página.
- Após preencher todas as regras obrigatórias, o formulário irá liberar as regras opcionais. Você pode não preenche-las, mas lembre-se que quanto mais fizer, mais chances tem de ganhar.
- O sorteio é válido até o dia 16/03/2018. O resultado será divulgado até o dia 20/03/2018, nesta postagem e em cada blog participante.
- Será enviado um e-mail para o vencedor, e ele terá 2 dias para responder com seu endereço. Se isso não ocorrer, terá novo sorteio, para escolher novo ganhador.
- No e-mail que enviaremos para o vencedor, constará uma lista dos prêmios do kit com o nome, link e contato de cada blog ou autor responsável por ele.
- Cada blog e autor é o único responsável pelo envio do seu prêmio. Por isso, o prêmio chegará em partes, e não todo junto.
- O prêmio será enviado até 30/04/2018, sem contar a entrega dos Correios. Nenhum de nós será responsabilizado por danos, extravios ou retorno das encomendas.
- O prêmio é individual, intransferível, não passível de troca e não poderá ser convertido em dinheiro. - A participação nesta promoção implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.


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Só sucesso, né?
Participem e vamos fazer essa festa juntos!

Um Bju com carinho, ♥

Olá, 
vidinhas...
É carnaval, sei que tem muita gente curtindo e pulando e se divertindo por aí. Na minha cidade parece que todas as pessoas se concentram na avenida, nos demais lugares não se vê um pé de pessoa. E eu continuo aqui no meu quarto porque prefiro a tranquilidade, minhas coisas, minha cama, minha família e minhas reflexões.

No post de hoje trago mais fotografias minhas - amadoras, mas cheias de significado e de amor - porque está muito de acordo com meus sentimentos neste momento.

Todos os dias, em algum lugar no mundo, pessoas se decepcionam, corações são partidos, alguém vai embora, etc. Nesses momentos parece que o mundo é um lugar cruel, tão feio e por isso não mais digno de ser habitado por nós. Não sei se esse é o seu pensamento também, mas posso dizer que é o meu. No entanto, depois que me permito chorar, viver meu momento de querer que o mundo se exploda e de que as pessoas sumam da minha frente eu paro e penso, vejo um filme, deito no colo de minha avó, converso com minha mãe, procuro me voltar para as pessoas que são essenciais na minha vida. Isso me ajuda tanto!

Mas não há nada que se compare ao olhar que me permito dar para a natureza. O universo ao meu redor, belo, maravilhoso. Aquele espaço tão grande, mas que cabe tão perfeito em mim. Parece que no momento em que olho para o céu todas as coisas ruins se afastam com o vento, como se o vento tocasse meu rosto e dissesse que eu não preciso daquilo. E eu somente agradeço. Por isso, decidi escrever esse post trazendo várias cores e imagens do céu, em momentos diferentes. Eu gostaria que se você, neste momento, estiver se sentindo triste por alguma razão, olhe para essas imagens e desejo também que elas possam lhe inspirar assim como fazem comigo. Porque toda essa beleza que a gente vê no céu é amor, é como um remédio de Deus para nós, para que quando os dias estiverem difíceis a gente possa levantar a cabeça, olhar para cima, suspender as mãos, fechar os olhos, respirar... e deixar que todas as coisas que nos afligem sejam levados para longe. ESSE É O MOMENTO EM QUE A GENTE SÓ PRECISA DIZER SIM E DEIXAR O AMOR ENTRAR. 



Essa é a imagem que vejo da janela do meu quarto todos os dias quando acordo. Muitas não enxergam beleza na paisagem, eu além de ver beleza, me sinto em paz. A fotografia foi feita durante a manhã do dia 28 de dezembro de 2017.


 Ainda da minha janela, no dia 11 de janeiro de 2018 me deparei com o céu alaranjado no fim de tarde, com nuvens espalhadas e outras tão concentradas num só lugar feito algodão. 


 No dia 13 de janeiro fui ao Cinema Glauber Rocha, Espaço de cinema Itaú, na Castro Alves, para prestigiar um amigo que estava lançando um livro. Enquanto esperávamos os convidados chegarem fui até o terraço - famoso pelas pessoas da cidade - olhar a cidade do alto. E o que vi está registrado nessa imagem, que é uma das minhas fotos prediletas.


 Ainda no terraço do cinema, um pouco mais tarde, pude ver o espetáculo do sol entre nuvens, se despedindo. O mar e o céu como uma coisa só. O brilho do céu me enchendo de luz, esperança e paz. 


★ Ontem, 11 de fevereiro, um dia feliz, mas que eu estava um tanto triste e decepcionado, decidi sair, me abrir para ver o mundo, tomar um banho de mar. Na volta para casa, de dentro do carro olhei para o céu e vi essa paisagem tão especial e motivadora. Foi o momento certo de agradecer.


E essa última imagem, do dia 19 de janeiro (voltando um pouco tempo) é aquele tipo de imagem em que o céu anuncia que vai chover. O dia foi ficando escuro mais cedo, pessoas começaram a correr para não correrem o risco de molharem. 

Essa fotografia foi feita na faculdade onde estudo e eu decidi incluir aqui nesse post sobre inspiração porque até mesmo num céu acinzentado a gente pode encontrar beleza. No meu caso, minha inspiração vem do contraste do céu com os galhos secos perdendo folhas, enquanto outras renascem. 


Provavelmente essas não são as melhores fotografias que você já viu. Mas eu gostaria muito que elas pudessem levar paz para seu coração como ela traz para o meu. 

Mas melhor que ver a fotografia é se permitir olhar o céu de onde você está agora. Agradeça.


Um Bju,
com carinho


Olá 
fofuras!

Cheguei hoje com um certo atraso, tanto no dia de postagem, quanto da postagem da resenha em si. Adoraria ter feito essa resenha e lido esse livro há mais tempo, mas infelizmente aconteceu de não ser bem como planejei, portanto... aceito que a hora certa foi essa. E agora, "Johnny Bleas - O núcleo da montanha".

Johnny Bleas - O núcleo da montanha é um livro de João Gabriel Brene, o segundo da trilogia, e sucede "Johnny Bleas Um Novo Mundo.

No primeiro livro, Johnny Bleas, garoto órfão de pai e mãe, se depara com o assassinato dos tios com quem morou desde a morte dos pais. Após a cena fatídica, Johnny acaba sabendo mais sobre seu passado e descobre um mundo novo, Asterium, repleto de castelos, duendes e guerreiros. Mas esse mundo corre um sério risco de ser dominado pelo mal e somente Bleas poderá salvá-lo. A partir de então, o garoto terá que fazer duras escolhas e treinar duro para se tornar um herói competente e salvar Asterium.


No segundo livro da trilogia continuaremos a aventura junto com nosso herói Bleas e partiremos do exato momento em que a história acabou no primeiro livro. Não vou escrever uma sinopse detalhada sobre ele, pois receio que haja, em algum momento, um resquício de spoiler. E entregar de bandeja os acontecimentos da narrativa seria privar vocês das surpresas que "Johnny Bleas - O núcleo da montanha" tem. Me atentarei apenas a escrever o que vocês podem encontrar nessa narrativa única e original, que embora nos apresente referências a outras histórias, consegue mostrar sua cara e se fazer única.

Na continuação da jornada de Johnny Bleas vamos encontrá-lo nas ilhas lunarium, seguindo viagem para as montanhas do norte onde está escondido o segundo fragmento do coração de Asterium. Durante a viagem, Bleas irá encontrar novos aliados, descobrir novos poderes, treiná-los, além de conhecer mais sobre a pessoa que ele é. Novos seres ganham a cena, entre eles um que me conquistou, chamado "Aprasseiro", cuja missão é guardar o sono do nosso herói, dá-lo uma boa noite e acalmar seus sonhos. A cena em que o personagem (que é um travesseiro falante) aparece e toda sua família acorda é bem divertida e por isso, marcante. Nessa jornada também a descoberta do amor se faz presente, um romance começa a dar sinal de vida e finalmente Bleas se deparar com um dos seus maiores inimigos, numa luta insana e familiar. Será um duelo marcante e surpreendente.



Quem será o maior inimigo de Johnny Bleas?


Como disse anteriormente, as referências não deixam de existir. Se no primeiro livro ousei comparar a história com o conto de Alice no mundo subterrâneo (a ideia de novo mundo ficou marcada após a obra de Carroll), os seres estranhos e a luta familiar do segundo livro me remete à franquia "Guerra nas estrelas". Mas não para por aí. Quem já leu o livro de Rhonda Byrne, "O Segredo" - e até mesmo assistiu ao documentário - vai encontra muito sobre o exercício de se conectar com a força do bem, que vem a partir da Gratidão. Aprender a agradecer por tudo, até mesmo pelas situações ruins vai ser um dos maiores desafios de Johnny Bleas, em capítulos que irá nos levar a refletir sobre a importância de agradecer.
"Algumas pessoas não conseguem ter o controle que mencionei sobre manter a mente no presente. Portanto, podem apelar para outro meio de controle de emoções e pensamentos por meio da gratidão. Sentir-se grato pelas coisas que nos acontecem pode ser uma das magias mais fortes do universo."
Uma grande mensagem da narrativa também aparece no momento da luta de poderes, na ânsia de ter o poder. Aqui, uma frase famosa de Maquiavel se encaixa perfeitamente: "Dê o poder ao homem, e descobrirá quem realmente ele é". No entanto, também vamos conhecer o outro lado da moeda: o poder a destruir o homem. A bondade do homem ameaçada pelo ganância, pela influencia dos sentimentos egoístas e da vaidade de uma pessoa.

 Algumas partes da narrativa ao meu ver são desnecessárias - e isso não compromete em nada a leitura agradável -, outras senti falta de um desenvolvimento e uma "fotografia melhor" do acontecimento. Uma das cenas mais esperadas, por exemplo, pede algo mais que eu não encontrei. Mas volto a repetir, não afeta em nada a qualidade da história. Uma coisa que gostaria de apontar também, mas de maneira positiva agora, é a melhoria da revisão. Quando li o primeiro livro lembro que me senti insatisfeito com a quantidade de erros de digitação e a revisão precária da história. No segundo livro os erros foram pouquíssimos, quase irreparáveis.

A narrativa agradável, leve e carinhosa de Brene é incontestável. É prazeroso ler os diálogos e os textos do autor, que demonstra nas entrelinhas o cuidado que teve na construção da história e o amor pela escrita. Demorei de ler o livro por questões pessoais, de prioridade, entre outras coisas. Mas jamais porque não merece minha atenção ou porque não é um livro bom. Muito pelo contrário. Johnny Bleas - Um Novo Mundo e Johnny Bleas - O núcleo da montanha são fantasias que não ficam devendo nada às demais. 

Eu indico forte que busquem e leiam a história. Assim que souber da previsão de lançamento do próximo livro postarei nas redes sociais. Fiquem ligados! No site do autor vocês ficam sabendo de todas as novidades e de como comprar o livro - disponíveis nas principais livrarias físicas e virtuais do país.

www.jgbrene.com/onucleodamontanha

Fique com o booktrailer de "Johnny Bleas - O núcleo da montanha".

 

Um Bju meu,
com carinho




Virgínia Woolf, autora inglesa; Mrs Dalloway uma de suas principais obras. Um clássico, uma narrativa peculiar e um senso crítico aguçado quando se trata da sociedade inglesa da época.

Olá!

Ler um clássico para muitos é questão de honra, para outros um martírio. Você já parou para pensar em qual das duas categorias você se encaixa? Não sei se existe meio termo, eu com certeza estaria dentro dele, acredito que a questão não é ler clássicos, é como ler um livro clássico. E depende de qual livro você vai ler, porque assim como qualquer coisa na vida ou a gente se identifica ou não se identifica.

Talvez você já tenha lido Mrs Dalloway e tenha uma opinião formada em relação à história, e talvez você não tenha lido ainda, mas esteja desejando verdadeiramente. É importante saber que essa é uma das obras mais aclamadas da autora, e foi também uma das mais criticadas pelo público provavelmente por fazer uma crítica à sociedade fútil da época e pela narrativa peculiar, nada simples ou de fácil compreensão. Ainda assim, é um marco na literatura, essencial na lista de clássicos a serem lidos. E a partir das razões que vou lhe dar logo mais, você dirá se vale a pena ou não realizar a leitura.

Haverá uma festa na casa de Clarissa Dalloway à noite. A dona de casa prefere sair para comprar flores, já que sua empregada tem muito o que fazer.  Na trajetória de Mrs. Dalloway até a floricultura,  a mulher encontra amigos e conhecidos e relembra acontecimentos de seu passado numa narrativa não linear, com frequentes momentos de flashback. Além disso, ao mesmo tempo em que mergulhamos nos pensamentos da personagem, vemos a vida de outras pessoas que ao redor da protagonista, vivendo seus problemas e suas mentiras e infortúnios nos anos de 1920.

A complexidade da narrativa é incontestável. O livro aposta no fluxo de consciência, que é uma técnica narrativa que se propõe a narrar o pensamento de um personagem, sua linha de raciocínio e suas ideias que se desenrolam durante o processo de reflexões que acontece ao mesmo tempo em que ela vive as situações rotineiras. No caso de Mrs. Dalloway, a mulher questiona o tempo inteiro os costumes  da sociedade da época tão superficial e hipócrita, questiona também acontecimentos de seu passado, o que nos leva e nos trás no tempo da narrativa, que agora está no presente e, talvez de modo que você nem perceba, no momento seguinte estará narrando um fato do passado, como uma importante lembrança da personagem. 

Essa não será uma leitura fácil, ela merece muita atenção, pois os fios se misturam, mas sempre se encontram formando um emaranhado de informações, dando uma visão ampla do que acontece no íntimo da personagem e ao redor. Pode não ser uma leitura interessante para alguns, se revelando nada atraente e até entediante. Mas agrada ao leitor que gosta de narrativas introspectivas. 

Mrs. Dalloway nos leva uma viagem pelos pensamentos de uma personagem/mulher muito além de seu tempo. A trama se desenrola fazendo um passeio pelo íntimo do ser humano, mostrando suas crises existenciais, seus anseios e insatisfações, além de trazer à tona - de maneira sutil - temas como a homossexualidade e feminismo. Apenas escolha o momento certo e o lugar certo para realizar essa leitura e isso definirá muito sua experiência com ela.
A edição que li é dos clássicos da Peguin, selo da Companhia das letras. Também observei através de uma breve leitura, edições de outras editoras, e das que li posso assegurar que a melhor tradução é a que está em destaque nessa publicação.

Um Bju meu,
com carinho




Olá, 
Uma das coisas mais lindas de estar em contato com pessoas que amam leitura, principalmente na blogosfera, canal de comunicação pelo qual digo isto neste momento, é que nessa caminhada como leitor e amigo de leitor descobrimos muitas coisas novas em relação a quem somos, a quem queremos ser, ao que nos toca profundamente. Descobrimos novos prazeres com diferentes histórias que talvez não imaginássemos que teríamos. São essas descobertas, entre tantas outras, que dá à leitura essa sensação de prazer, ofertado pela beleza que existe nas palavras de quem escreve com amor.

 Conheci a trilogia do adeus durante um passeio no shopping com uma amiga - Danny -, que também tem um instagram literário. Saímos para tomar um café, depois entramos na livraria para ver as novidades, até que os escritos de Carrascoza, em destaque na prateleira, despertaram a euforia dela, que imediatamente disse "LEIA". Em seguida, começou a falar nas histórias com tanta emoção, com tanto carinho e paixão, que me contagiou. Foi impossível não querer ler também. E quando o fiz me senti maravilhado e abraçado por uma sensação de prazer inexplicável e uma vontade imensa de aproveitar mais a vida.

A trilogia - publicada pela editora Alfaguara, selo da Companhia das letras - conta com três narradores diferentes e cada um dos livros é contato em épocas diferentes, marcando no tempo três gerações. A do pai, já idoso; a da filha, Bia, adolescente - refletindo as coisas sobre as quais o pai relatou e alertou na carta - e do filho, Matheus, agora pai do menino também chamado João, que está entrando na adolescência.

Hoje eu sei como Dany se sentiu no dia que pode falar sobre essa leitura para mim. Hoje eu desejo falar sobre ela também. E começo pelo "Caderno de um Ausente" (finalista do prêmio Jabuti de 2015). 

Sobre o caderno escrito pelo pai João, falo de amor, mas falo de dor também; de angústia, de lembranças e de um querer que dói por ser só querer. Eu posso falar das marcas que o tempo deixa, de saudade, do inevitável - "aqui, onde terás que conviver diariamente com o não, quando todo o teu ser suplicará pelo sim." Falo de família e do sangue correndo pelas veias. É impressionante como as palavras se encaixam nos lugares certos. Chegaram a mim e libertaram um grito preso que eu tinha guardado naquele momento, resultando em lágrimas daquelas que vem do alívio, da pura sensação de prazer, do gozo.

Neste livro, João acompanha o nascimento da filha e decide escrever para ela uma carta sobre o futuro, coisas situações hipotéticas, fruto das experiências que o escritor da carta viveu na vida.  A escritura vai ganhando forma, conforme o tempo, com o crescimento de Bia.  É uma carta de despedida, nostálgica, que em suas páginas apresenta também os laços familiares que os unem desde a existência de entes queridos que já não estão presentes. A saudade é uma constante; saudade do que ainda não viveu, mas gostaria de ter vivido, saudade daquilo que  provavelmente não conseguirá presenciar, embora queira. No entanto,  é só no final da carta que descobriremos sobre a primeira ausência na vida da menina Bia.
"A tua fida, filha, é um texto que há tempos começamos a escrever, mas, daqui em diante, também te cabe pegar esta tinta e delinear o teu curso, tome só cuidado com o que retiras do nada e trazes à superfície, é comum borrar ou rasurar um trecho, mas é impossível apagá-lo, a palavra se faz carne,  e a carne se lacera, a carne apodrece aos poucos, mas é também pela carne que a palavra se imortaliza."

No segundo livro, "Filha escrevendo com pai", temos Bia já adulta, no lugar de fala, vivendo as palavras contidas na carta, relembrando os momentos de dores - primeira queda, coração partido - e descobertas da mudança no próprio corpo e as reações que causam. Aqui vamos presenciar a vida de Bia ao lado do pai já idoso e de como encarou a ausência da mãe durante todo esse tempo de vida. A narrativa conta com fleshes; o tempo é passado, às vezes presente; o agora e o ontem se unindo para o que virá no futuro. 
"Juliana que amo mesmo sem a convivência necessária para se aprender a amar, Juliana que me bordou sob o signo do perigo, quem me desfiar um dia chegará a ela - que bonito, eu digo, que o pai, meu velho pai, o pai encontrou a mãe, Juliana, pra me começar."
As lembranças de Bia como uma forma de resgatar os últimos momentos que viveu ao lado de João.
No último livro, "A pele da terra", a narrativa fica por conta de Matheus, primeiro filho de João, que é citado poucas vezes nos livro anteriores. Nesse livro podemos conhecer um pouco mais de Matheus, mas sem focar na sua relação direta com o pai, a mãe ou a irmã Bia. Matheus, agora separado de sua esposa, com um filho adolescente, repensando seu relacionamento com o garoto, cujo nome é João. O homem faz relatos de um passeio que faz com o filho durante um final de semana e durante a caminhada observa as semelhanças e as diferenças entre eles, bem como o reflexo do pai/avô João em quem eles são hoje. Com um tom melancólico mais do que saudoso, A pele da Terra é um retrato de um pai se acostumando com a saudade de ter o filho todos os dias no próprio lar.
"Eu - você. Eu, cheio de palavras envelhecidas dentro de mim. Você, um texto novo ecoando juventude."
A agradável sensação que se tem com A trilogia do adeus é um sentimento que merece ser sentido por qualquer leitor que gosta de viver a sensibilidade e que tem a família e os laços familiares como uma das maiores riquezas da vida.

Esta trilogia oferece um panorama que se estende através do tempo, para falar da relação fragmentada das famílias (...) E expressa os afetos e a afinidade da nossa existência, mostrando como o cotidiano é sempre matéria rica para a literatura. 

♥ Um Bju meu,
com carinho.