Olá! 

Nem todas as pessoas têm o sonho de casar, porém, boa parte delas sonha com o casamento. Eu mesmo sou uma dessas pessoas apaixonadas, que querem muito isso. Mas é cada desilusão que a gente sofre, que às vezes preferimos deixar de lado, não é mesmo? A Catarina, personagem de Antes de Casar, livro da Bárbara Machado, é um exemplo disso. Ela sofreu uma desilusão tamanha e decidiu seguir sua vida, viver seus momentos com os amigos e redescobrir os caminhos do seu próprio mundo. No início não foi tão fácil, mas com o tempo ela foi aprendendo muito mais sobre ela mesma e adquirindo uma maturidade admirável.
"Sabe, muita gente encara o fim de um relacionamento como uma coisa assustadora. Mas assustador mesmo é perceber que você se perdeu. Colocar alguém num pedestal e abandonar a sua essência." (pág.: 104)
Catarina é uma jovem independente, querida entre os amigos, bem sucedida na carreira e muito divertida. Até conhecer Arthur e se privar das coisas que mais ama fazer. Por exemplo, devido aos ciúmes do namorado (muito machista, por sinal) ela deixou de sair com os amigos (os rapazes do paintball) e de dançar nas festas como adorava. Abriu mão de tantas coisas por conta de uma relação que não fora tão saudável como imaginava. No dia do aniversário de namoro - quando já estava com uma vida toda planejada - após passar um dia inteiro se arrumando e se preparando para a noite em que achou que seria pedida em casamento, o rapaz termina o relacionamento da forma mais fria possível e some. Agora solteira, Catarina está sem norte, em busca de respostas, vivendo seus dias tristes, seus medos. Mas quem tem amigos e uma família muito bem estruturada nunca está sozinho, e é com o apoio deles que Catarina vai levantar da cama e encarar o mundo em busca do tempo perdido e do grande encontro com ela mesmo, que por um bom tempo vivera perdida dentro de um mundo que não era o seu.

Antes de casar é um livro para rir, para refletir e se inspirar. Através da trajetória de Catarina o leitor embarca nas aventuras de uma personagem muito divertida, decidida e empoderada. A personagem de Bárbara Machado é uma protagonista totalmente atípica, se você observar as características das mulheres dos romances românticos de pouco tempo atrás e por que não algumas da atualidade, não é mesmo? No início do livro você vai se deparar com uma jovem que sonha em se casar com o homem que ama, que escolheu se afastar de coisas que ama para viver essa relação, mas que depois percebeu que essa atitude não valeu e não vale a pena.

Uma das melhores sacadas do livro é justamente a volta por cima da protagonista, que se permite viver o período de "luto" pelo final do relacionamento, mas que pela sua força de vontade se reinventa e se mostra uma mulher madura. O que ela quer ela vai lá e faz! E não tem essa de princesa romântica, de menina recatada e do lar. Catarina é uma personagem real! Uma personagem totalmente fora dos moldes sociais de como uma mulher deve ser. Ela xinga, ela se aproxima dos caras por quem está a fim, tem um emprego, é bem sucedida no trabalho. Catarina é uma mulher livre.

Se você gosta de filmes de comédia romântica, como Ele não está tão a fim de você, Bridjet Jones, Vestida pra casar, entre outros, certamente vai se apaixonar por Antes de casar. O livro não fica devendo nada às grandes produções americanas. E sabe o que é melhor? É totalmente nacional, como você pode perceber. E quando falo totalmente nacional é porque você vai conhecer também um pouco da cultura do país, e fazendo um recorte nisso vai conhecer um pouco mais sobre a cidade de Vitória, no Espírito Santo. Um conteúdo nacional para ninguém colocar defeito. O riso é garantido, a emoção também. Tem muita música e a que melhor representa o poder da mulher e da personagem principal é "Garota Nacional", da banda Skank. Essa é uma das melhores cenas do livro e você só vai descobrir quando ler.
Aos poucos eu percebia que a maneira como me comportava transformava a maneira como as pessoas olhavam para mim. Mais especificamente, como os homens olhavam para mim. Quanto mais confiança eu demonstrava, mais atraente eu parecia. E o fato de eu não me importar se eles me queriam ou não, provavelmente era uma das coisas que chamava a atenção deles. (pág,: 134)
O enredo de Antes de casar se faz uma rica narrativa sobre o relacionamento romântico e os tipos de relações: as que dão certo - e as possíveis razões para que isso aconteça -, as que está fadadas a dar errado - e as possíveis razões também. As amigas de Catarina ganham a cena e junto a personagem nos apresentam situações diversas das relações que se permitem viver, bem como suas desilusões e insatisfações sobre as atitudes dos homens. As mulheres aqui dizem o que querem, o que esperam e como elas são sem medo. 

Devo destacar também a ideia de amizade entre homem e mulher, que se dá através da amizade das personagens com os garotos, sem nenhum tipo de interesse sexual aparente. 

Terminar uma relação realmente não é fácil, por isso existe aquele momento da história, que facilmente vamos nos reconhecer, principalmente quem já viveu um relacionamento duradouro. É aquele momento de se fechar, de viver o luto, de se reencontrar como pessoa. Mas a narradora também nos envolve de maneira forte nos momentos de superação, de se levantar, se reerguer e viver a liberdade e perceber coisas que até então não percebia. 
Se eu fosse me casar um dia, teria de ser com uma pessoa que me aceitasse. E quando eu estivesse preparada. Somente uma pessoa bem com ela mesma e que se ama de verdade é capaz de dar o amor  saudável e puro que seu parceiro merece. Enquanto isso, eu reunia experiências, me divertia e fazia o que me trouxesse alegria. (Pág.: 121)
Tem clichê? Tem sim, e toda aquela conversa de amor próprio. Mas nenhum clichê é negativo quando colocado de maneira única. E isso acontece em Antes de Casar. A autora tem personalidade e uma escrita única, que não se compara nem mesmo nas frases e momentos repetitivos, quando você parece estar lendo um manual de como superar o fim de um relacionamento e se superar como pessoa. 

Há algo que poderia dizer de negativo e é sobre Catarina. Apesar de a personagem ser muito querida, especial, empoderada e ter um astral maravilhoso, em alguns momentos a autora pesa a mão e exagera. Senti um tanto de exagero que beira a superficialidade da personagens em alguns momentos. No entanto, não é algo que afeta o enredo, que faz do livro ser ruim ou estraga a personagem. 
Antes de Casar tem uma edição linda, o trabalho de revisão e diagramação é excelente e foi feito pela própria autora, que é publicitária, formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e mora em Vitória - ES. 
Com uma narrativa simples e linguagem bem popular Antes de casar é um livro que apresenta personagens satisfatórias, gente como a gente, e que traz possibilidades diversas de problematizar assuntos como relacionamento abusivo, machismo, homossexualidade, entre outros. Uma leitura que vai acrescentar muito ao leitor e diverti-lo também, com muita música e referências a grandes histórias contemporâneas. Um nacional para ninguém colocar defeito.


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Bjux,



Oi,
pessoas românticas e cheias de amor, que trazem em si essa chama que não se apaga. E eu realmente desejo que não se apague nunca. Assim como a chama de Logan e Alyssa, que nunca se apagou, mesmo com a distância.

|MUITO   A M R   NESSA VIDA DE NÓS TODOS!|

A chama dentro de nós é um new adult escrito por Brittainy C. Cherry, mesma autora de "Sr. Daniels" e O ar que ele respira. O livro foi lançado pela Editora Record e conta a história de amor do "bad boy" Logan e da doce Alyssa.

O casal que protagoniza a trama de Cherry se conhecem de maneira inusitada e desenvolve uma bela amizade, a partir do primeiro contato. Logan vai até a loja onde Alyssa trabalha para comprar alimentos, porém, um imprevisto acontece e ele acaba tendo que deixar os alimentos na loja. Porém, Alyssa se compadece da situação e acaba pagando as compras. A partir de então uma grande amizade surge entre eles e à medida que o tempo passa o sentimento vai mudando e crescendo até que ambos assumem o amor que sentem um pelo outro. Mas nem tudo são flores. Nessa caminhada vários acontecimentos farão com que os dois se separem até que Logan se muda da cidade deixando sua família e Alyssa.

|Porque será que Logan vai embora? Será que ele volta? E o relacionamento com Alyssa?|

Alyssa é uma garota com boa qualidade de vida, filha de uma advogada, sonha em cantar e viver de música, vive numa área nobre da cidade; Logan, por sinal, vive uma vida caótica num bairro periférico e se envolve com drogas. O rapaz vive com a mãe que também é viciada e tem um relacionamento abusivo com Rick, o pai de Logan, um frio, violento e controlador.

Pela diferença dos personagens já é possível perceber o perfil nada novo da construção dos protagonistas. Temos aqui o velho clichê da garota rica, que se apaixona pelo garoto pobre e vivem  um amor mal visto pela sociedade. E toda uma trama baseada nos romances proibidos, estilo Romeu e Julieta, estética que raramente se diferencia dos NA's. A leve diferente entre "A chama dentro de nós" de outros livros que já li é que o amor aqui acontece aos poucos, nos apresenta a vida de cada um sozinho, depois juntos, até que se tornem um só e o leitor também já esteja conectado com o sentimento dos dois e acostumados com a ideia do relacionamento que está se desenvolvendo. Funciona muito bem.

O que não agrada é a mesma fórmula utilizada pela autora para os NA's como foi dito logo acima. É tudo muito igual, tudo muito repetitivo. Não há muitas surpresas sobre como seria o desfeche da história; as reviravoltas já acontecem de modo que mostram de alguma forma o caminho exato de como irá terminar a história. 
A chama dentro de nós nos mostra uma história de superação e fantasmas que trazemos conosco na vida. Apresenta uma história de amor, mas não somente o amor romântico, como também o amor família, o amor amigo. O leitor presencia as consequências do uso de drogas, a violência que isso gera, a agonia de estar preso a algo quando você está assistindo a sua vida desmoronando. 

As drogas, a violência como consequência dela, as divergências comuns às classes, o amor "proibido" e o câncer são temáticas que o leitor encontra na história. No entanto, estamos diante de temas romantizados demais, principalmente quando se trata do câncer e da forma como isso se torna uma chantagem do personagem que está doente para conseguir convencer os outros do que ele quer. Se torna algo chato, forçado e dramático demais! Ponto negativo.

E para não dizer que não falei das flores, as metáforas e a linguagem poética se fazem constante e é belo. Pude ler frases belíssimas e dignas de reflexão, e a metáfora do amor como uma chama que cresce dentro de nós e que é capaz de incendiar é de uma beleza admirável. Me deixou encantado. A narrativa fácil e a tensão que existe na trama são também pontos positivos e que contribuem para uma leitura rápida e agradável.
- Mas Diih, o livro é ruim? Não, esse não é um livro de todo ruim. Mas também está longe de ser uma história marcante.
Com uma narrativa leve e fluida, A chama dentro de nós é uma historia totalmente clichê, com personagens estereotipados demais e temas sérios abordados de maneira romantizada demais também. A tensão da trama é forte e é realmente capaz de despertar uma chama dentro de nós, através da narrativa leve, e ao mesmo tempo poética com suas ricas metáforas sobre o amor. No entanto, não é uma história que nos apresenta grandes novidades e surpresas. 

Bjux,




Salvador - Ba

Olá, Eduardo.

Posso começar dizendo que estou surpreso e que dessa vez você que me deixou sem reação? Quando vi o envelope na porta do meu apartamento fiquei bastante curioso, imaginando quem seria o autor da carta. Quando li seu nome não entendi nada e ainda estou tentando acreditar no que li. De qualquer forma, acho que você merece uma resposta.

Quando me mudei para esse apertamento eu cheguei com todas as minhas coisas e mais um coração partido. Você consegue imaginar como é começar uma vida sozinho, longe de todos, numa nova cidade? Sim, eu venho de outro estado, morava em Minas Gerais. E sim, eu também era casado e há mais ou menos um ano havia me separado quando cheguei aqui. Finalmente superei! Digo isso porque também nunca havia olhado para você de outra maneira que não fosse com um novo vizinho apressado e antipático, naquele período. 

Parece brincadeira, mas moro aqui há dois anos e até hoje estou me perguntando o que fiz de errado naquele dia na sacada do prédio. Você sempre me cumprimentou de um jeito sério na sua saída e eu sempre achei graça do seu jeito apressado e centrado. Mas mesmo assim não esperava todo aquele silêncio e sua recepção nada amigável. Então, decidi me conter e não invadir mais seu espaço - ou simplesmente sorrir pra você como uma pessoa que já se conhece a mais de uma década. Cara, você foi cruel! 

Confesso que nunca imaginei ler coisas como essas de você. E ao contrário do seu jeito desapegado e "frio", como você fez questão de enfatizar, eu sou totalmente o oposto. Sorrio mesmo, me jogo mesmo, me quebro ao meio e me reinvento pelo amor e pela chance de me permitir viver aquilo que eu acredito. A vida é curta demais para focar somente no trabalho, somente nos estudos e se anular. Olhe para o lado, Eduardo! O mundo é maior do que seu ambiente de trabalho e sua turma da faculdade. E ter o carinho e o abraço de alguém nos dias cansativos é libertador.

Fico imensamente feliz em saber do efeito que meu sorriso causou em você. E antes que me esqueça eu não sou um desocupado como você de maneira precipitada pensou. Aposto que isso é consequência do estresse, caramba! Mas como eu ia dizendo... começo no novo emprego mês que vem e está tudo certo. E mais, aposto que se for à piscina mais vezes vai me ver sempre por lá escutando música, não porque sou desocupado, mas porque a gente precisa de um tempo para relaxar, colocar as coisas em ordem e recomeçar.   

Opa! Desculpe se estou sendo invasivo demais e de forma alguma quero te dar lição de moral. Mas eu gosto de falar, saca? Filosofia é o meu forte - sou formado já. Então, será mesmo que você gostaria de aturar todos os meus discursos? (risos: espero que melhore sua noite).

Bom, vamos deixar de enrolação. Acho que o pôr do sol daquele dia me fez ver muitas coisas, assim como você. Seu sorriso não foi dos mais convidativos e seu silêncio também não. Mas o simples fato de ter você por perto me fez sentir vontade de te convidar pra sair, de te conhecer melhor, de mandar esse medo infeliz de ter meu coração partido novamente ir se ferrar. 

Não sei, mas acho que você seria um forte candidato a deixar meu coração em pedaços minúsculos. Me perdoe, mas também tenho meus pré-julgamentos. Sabe como é, né...  

Mas, por favor, me diga que estou errado. Porque sim, você terá essa oportunidade. Porque quero ver o horizonte com você, e quero sorrir para você novamente. E eu gostaria que você pudesse olhar para mim novamente e que dessa vez me dissesse um Oi mais gentilGostaria que você fosse gentil, que me cumprimentasse com um abraço e tocasse minha mão durante o espetáculo no céu, como você mesmo diz. 

Você disse que sou capaz de lhe intimidar. Mas já parou para pensar que você causa o mesmo efeito em mim? E isso não acontece porque você me abre um sorriso belo, me olha com os olhos brilhantes ou pinta um mundo colorido cada vez que passa por mim. Isso acontece porque quando você passa por mim eu percebo o quanto você é solitário e o quanto essa correria que você faz do seu mundo torna ele cinza. E eu juro que não me falta vontade de levar baldes de tintas coloridas para pintar seu universo e colocar mil estrelas brilhantes como o céu nessa parede sem cor. Você me desafia a querer você, desafia minha coragem, desafia o meu momento de paz. É com isso que você me intimida. Mas eu adoro desafios, amo mergulhar neles. 

Portanto, estarei esperando você na sacada do prédio no próximo sábado, às 17h00.

Um beijo,
Arthur.


Essa carta é a resposta de Arthur para a carta que Eduardo enviou logo no início da manhã antes de sair para trabalhar. Leia o que Eduardo disse para Arthur e entenda melhor clicando na imagem:




Pípol!


Como estão as leituras de vocês? Estão gostando? Tem alguma leitura chata, arrastada? Aquela engraçada, que faz você gargalhar em qualquer lugar? E aquela que te faz chorar de emoção?

Hoje a postagem é curtinha, mas não menos especial ou importante.

Quem segue meu instagram sabe que sempre posto quando começo e termino uma leitura e não foi diferente com "Fera", "Antes de Casar" e "O Sol Também É Uma Estrela". Postei minha satisfação e minhas alegrias com as leituras e olha só a minha sorte: eu amei todas elas! Porém, por conta do meu tempo reduzido não pude postar as resenhas imediatamente. Então, passei aqui para dizer que em breve vocês verão a resenha desses três livros aqui no Blog:

Fera, da Brie Spangler

- Uma história linda de auto-conhecimento e auto-aceitação, que nos apresenta dois personagens tão comuns, mas tão incomuns ao olhar de boa parte da sociedade. Uma história linda de um garoto de quinze anos com 1m90 de altura, e consequentemente sem o padrão de beleza exigido e apreciado pelas pessoas,  e uma transgênero. Eles dois acabam se apaixonando, mas precisam lidar com os problemas que vão surgir ao longo do caminho. É uma história de respeito, amor, descobertas e sobre como as pessoas podem ser cruéis e injustas. Aguardem mais detalhes na resenha!

Antes de Casar, da Bárbara Machado


- Esse é um livro Nacional de qualidade! Daqueles que merecem destaque, que garante boas risadas ao leitor, mas também dá um tapa na cara da sociedade e dos olhares preconceituosos quando se trata de machismo. Sabe aquelas comédias românticas como "Ele não está tão a fim de você", "Diário de Bridget Jones", "Vestida para Casar", entre outros? Pois bem! Antes de casar não deixa nada a desejar. E um "PS" básico: escutar a música GAROTA NACIONAL, da banda Skank, nunca mais será a mesma coisa depois de você viver uma aventura especial com a Catarina, protagonista da história, ao som dessa canção. 

Aguardem a resenha também e visitem a autora nas redes sociais:

O Sol Também é Uma Estrela, Nicola Yoon

- Esse livro também foi uma leitura especial. Nicola Yoon é uma deusa em escrever histórias simples, mas cheias de luz e sabedoria. Nessa história a autora aborda questões raciais, fé e ceticismo. E nos presenteia com um romance fofo também. Muita gente já deve ter lido essa resenha, mas eu vou contar minha versão dos fatos também.

Aguardem!

Bjux,



 
Feliz dia para você, leitor que assim como eu nutre um amor inexplicável por Paris, sendo esse o motivo inicial para o meu desejo de ler o livro A Livraria Mágica de Paris


O livro de Nina George foi lançado no ano passado pela Editora Record, e a história apresenta o Sr. Jean Pardu, livreiro parisiense, que sabe perfeitamente como amenizar o sofrimento da alma de seus clientes com o livro certo para cada uma deles. No seu "barco-livraria" chamado de "a farmácia literatura", Pardu vende seus livros como se fossem remédios. Mas uma desilusão no seu passado o fez sofrer por todo esse tempo . A bela e reservada Manon o deixou enquanto Pardu dormia. A mulher foi embora deixando somente uma carta e nada mais. Mesmo assim, ainda sem forças e coragem para seguir adiante, o livreiro em tempo algum se viu impulsionado a ler as palavras que estavam escritas no papel, que ainda tinha o perfume de sua amada. Anos se passaram e só então a carta finalmente é lida e é a partir daí que novos acontecimentos mudam para sempre a vida do simpático homem. 

Soube que gostaria de ler A Livraria Mágica de Paris no mochilão da Record do ano passado e logo de cara me vi empolgado para ler a história: primeiro pelo título que me diz que o palco da história é Paris, () depois pela sinopse e premissa. Meu desejo foi aguçado e minhas expectativas foram alcançadas já que o livro não me decepcionou, muito pelo contrário, me deixou com vontade de mais. 

A ligação do personagem Pardu com os livros sempre foi muito forte, por isso tem um barco-livraria, às margens do rio Sena, em Paris. O homem gostava de vender seus livros como se fossem remédios para curar a alma triste das pessoas. Seus clientes eram classificados em: 
Os clientes que eram como sopro de ar fresco no sufoco do dia (seus clientes preferidos);
Os clientes que compravam cartões postais, livrinhos e miniaturas dentro de potinhos;
Os clientes que se consideravam Reis e Rainhas (apesar de não serem).

Pardu nunca errou: as palavras acalmavam as pessoas e o que elas estavam sentindo. Ele dava às pessoas o que elas precisavam, mas o mais irônico disso é que apesar de enaltecer as palavras elas nunca ajudaram na cura de sua dor. Como diria Pardu: "memórias são como lobos"

Desde o dia em que Manon o abandonou, Pardu se fechou e tornou-se uma pessoa triste, amargurada e perdeu a esperança de uma vida bela. Tanto que aos cinquenta anos ainda não conseguiu mudar seu modo de ver o futuro sem ser descrente, reservado e taciturno. Porém, tudo mudou quando o homem finalmente leu a carta que por tanto tempo evitou, uma simples carta que o prendeu no seu passado por tanto tempo. 

Com o desenrolar dos fatos, Jean Pardu decide viajar com seu novo amigo, o escritor Max Jordan, que por motivos pessoais está com bloqueio criativo. A bordo de seu barco Pardu e Max seguem viagem para viver novas aventuras. Eles buscam respostas para seus questionamentos e a cura para a alma. Essa viagem também fortalece muito a amizade dos dois. 

A problemática do livro é justamente o que nos prende e nos faz questionar: como pode um ser tão entendido em amenizar e curar as dores alheias com seus livros não conseguir livrar-se da dor que há tanto tempo machuca o próprio coração? Contudo, aqui está a magia da história. O fato de Pardu não livrar-se dessa dor faz com que ele seja essa pessoa tão obstinada e observadora, fazendo seu trabalho com tanto afinco. O personagem causa sobre as pessoas um efeito positivo. Quem lê sua história de vida baseia-se num amor tão intenso, por ora não correspondido. A Livraria Mágica de Paris tem realmente um enredo cativante, à medida que o leitor vai lendo a história descobre as razões pelas quais eu digo o quanto é uma história cheia de beleza.

A aproximação entre o protagonista e Max, seu amigo, se dá de um jeito simples, sincero e emocionante, deixando o leitor totalmente envolvido com as experiências dos dois. Nesse tempo, o aparecimento do cozinheiro italiano, Cunio, deixa o enredo ainda mais empolgante, no entanto não vou correr o risco de comentar mais sobre isso para não gerar spoiler. A viagem e seus encontros inesperados fazem com que Pardu reviva sensações que há muito não sentia. O homem se permitiu viver e tentar coisas novas, além de experimentar coisas que jamais sentira antes. 

A livraria mágica de Paris nos leva numa viagem sensacional, nos mostra belas paisagens e nos faz refletir a partir das experiências dos personagens. Uma excelente história, que nos apresenta uma narrativa fácil e consequentemente gostosa de ser lida. Vale a pena viajar nesse barco-livraria. Faça uma ótima viagem! ♡

XOXO, ♥